O poema que não te escrevi

O poema que não te escrevi está aqui
Sobre a torneira d’água fria
Perto do xampu

O poema que não te escrevi está aqui
Sobre a carcaça das estrofes desbotadas doutros poemas (quase poemas)

Parece que não pude ser sincero
Parece que não pude te amar
Lanço o punho contra o peito
Por que não reage?

Entra minha irmã com um conselho
Isso que você fez não devia ter feito
Por que guarda tanto?
Você junta as letras
Parece não perceber que formam palavras

Acho então que cometi um erro
Magoei severamente quem me amava
E o meu amor por ela só Deus sabe!

Restará mesmo à Deus que te pague
Quando tudo o que tenho já não vale
Ante a verdade do amor de uma via

Torno à busca pela reta no incerto
Junto as tralhas, me preparo
Levo espetada no peito uma farpa (essa falha)
E a falta pontiaguda que me faz, na mala.

Próxima terça a faxineira virá
Mas não me pegará de surpresa
O poema que não te escrevi está aqui, longe do ladrilho
Num caderno bonito, sempre sendo reescrito
Para lembrar e valer nosso tempo vivido.

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