Chacrinha continua balançando a pança

Juro que não sei com quem falo.
Penso que é comigo mesmo.
Depois desfaço. Eu, por mim, já sinto e sei o que passo.

A você que me esqueceu, aquele abraço. Recobro o meu normal.
Trago o peito aberto e, mal ou bem, vou tratando esse buraco.
Quase começo a falar por nós, humanidade, mas vejo que não posso:
É em minha mesa que a noite se deita.
E pela postura, percebo a que veio a madrugada,
Essa vontade impetuosa de correr vendada com tesouras.
Driblo e aplico um dardo. Devolvo a ela a calma.

Há uma náusea, sim. Porque há mundo lá fora.
Quando dizem que os ponteiros correm, nunca é literal.
No descompasso, repito para mim uma espécie de mantra:
Não há nada acontecendo lá fora
Não há nada acontecendo agora

Fim de carnaval, estou descalço. Baixo a bola da euforia.
Recolho ao quarto. Passo a noite imaginando o outro dia:
Amanhã lançarei um torrão de açúcar em solidariedade ao Mar
E porque ontem o larguei à embriaguez do litoral e à literal ressaca.

Acordo embrutecido, na lonjura do Planalto
Parto do princípio que surpresas me aguardam
Tento a isso não estar atento
Preciso ser pego despreparado
De fato, um fato inesperado: a despensa vazia
Viver se me impõe agora no ter que ir atrás do meu café
Que saco vazio não sente saudade nem se põe em pé

SACO VAZIO SAI EM BUSCA DE UMA BOA SAFRA
(Juro que não sei com quem falo)
Bolo uma manchete e a caixa alta é para evitar as nuvens de sombra de dúvida:
Se vai sair, camarada, que saia. Mas não volte para casa com saquinho de chafé.

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