Carta para a moça em minha mente

Cara moradora,
Vens a mim, comes minha comida e partilhas meus pensamentos
Tens teu cômodo próprio, o maior da casa
Saiba apenas, por ora, que esta cama não é nova

Há história em cada nesga desta alçada
Há um causo para cada dente em minha arcada
Vens a mim ingênua, curiosa
Eu sinto o medo do engodo em tua postura
És esguia, és alegre feito as criaturas mínimas noturnas
És a euforia alada sobre o teto
Eu não sei o que é de ti quando a luz se apaga

Digo que vens, mas sou eu que te trago
Digo naïve, pois perpasso o ocaso
Digo coisas que suponho de ti
Falo como aquele que o futuro não pode surpreender
Forte é o medo de que partas
Este lar já cheira a corte
Forte agora é o meu perfume
Suave sabor de caco e pés desavisados

Cara inquilina,
Saiba apenas, por ora, que esta cama não é nova
E como cada rincão de meu corpo, esta casa é remendada

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s