A ética do abandono

A ética do abandono se escreve a sangue e resignação
Antes que insista, terei dito: não haverá perdão para ti
A sinceridade não conta nesta seara
Vale mais, infinitamente mais, mentir
Criar caricaturas irreais, causas imorais e ensejos torpes
Antes desfiguras do amor que foi àquilo que se transformou
Antes qualquer coisa aos retratos áridos que saltam penhasco abaixo ao fim, sem degraus, sem rampas
Quantas peles eu perdi teimando! Quanta ofensa ouvi!
A ética do abandono é uma desgraça
Se sentes que o amor vacila, tentas isto:
Trai-te primeiro e simulas trair
Sobre a fúria e a decepção, terás tua glória
A ética do abandono repousa na dosagem de invenção da própria história,
No esforço hercúleo e fatalmente atrapalhado de manter a salvo algo de bom

 

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