Mexe qualquer coisa dentro doida entre Teerã e Marrakesh

(Artigo de Rodrigo Santaella originalmente publicado em http://www.psolceara.org.br/biblioteca/artigos/526-toda-solidariedade-aos-lutadores-na-turquia)

Na Turquia, o povo se levantou. Trabalhadoras e trabalhadores, famílias inteiras e especialmente a juventude está indo às ruas cotidianamente, ocupando praças e lutando por transformações radicais em sua sociedade. Tudo começou com uma ocupação contra a remodelação do Parque Gezi, na Praça Taksim em Istambul, onde derrubariam árvores e modificariam toda a área do parque para a construção de um shopping.

No dia 31 de maio, a polícia evacuou violentamente os ocupantes. Isso gerou uma resposta massiva da população, e do debate pontual acerca da praça Taksim passou-se a pautar o direito à cidade como um todo, o caráter antidemocrático do governo e a laicidade do Estado, tudo isso impulsionado por uma forte insatisfação com as políticas de ajuste neoliberal implementadas nos últimos dez anos pelo governo autoritário do AKP. O país inteiro está mobilizado e em luta, e mais de 60 praças públicas estão ocupadas!

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Palácio Dolmabahçe situado no distrito de Beşiktaş em Istambul,
próximo ao Parque Gezi http://goo.gl/maps/cZ3TH
(fonte: http://www.facebook.com/OccupyGezi) 01/06/13

E o que nós, aqui, temos a ver com isso? Ora, no Brasil a juventude tem ido às ruas de várias formas, em especial contra o aumento das passagens de ônibus nos últimos dias. Em Fortaleza, especialmente, vivemos um momento tenso de avanço da especulação imobiliária no contexto das Copas, além de ataques frontais a nossos espaços públicos, como o Parque do Cocó. Inspirar-se no povo turco e levantar-se contra esses ataques e contra os interesses da especulação imobiliária é mais do que uma possibilidade, é um dever da nossa juventude. Vivemos em uma das cidades mais desiguais do mundo, com miséria espalhada por todos os lados e uma segregação social impressionante. Não podemos ficar parados diante de mais nenhuma restrição aos nossos direitos. Não podemos parar.

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Praça da Sé, em São Paulo, é alvejada por bombas de gás lacrimogêneo na chegada de manifestantes. Essa é a terceira marcha pela redução da tarifa na capital paulista.
(fonte: N.I.N.J.A. http://www.facebook.com/midiaNINJA) 11/06/13

Ser internacionalista é ter a capacidade de indignar-se com as injustiças do mundo inteiro. É ter a sensibilidade de inspirar-se e emocionar-se com as lutas onde quer que elas estejam, é solidarizar-se com todos os que lutam pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária, socialista. Ser internacionalista é aprender e lutar junto, é superar barreiras culturais e de idioma, porque o que nos move é uma só causa.

Nós, revolucionários, estamos na eterna busca de ser a primeira (pessoa) do plural. Nela, onde não há barreiras nem fronteiras, a Turquia é aqui!

Somos todos “chapuling”! Estamos com vocês, camaradas!

Para saber mais: http://defnesumanblogs.com/2013/06/01/what-is-happenning-in-istanbul/ http://www.facebook.com/OccupyGezi http://www.facebook.com/geziparkidirenisi http://www.youtube.com/watch?v=NR0nQCejMHo

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2 thoughts on “Mexe qualquer coisa dentro doida entre Teerã e Marrakesh

  1. nós teríamos motivos de SOBRA para uma ação como a do Occupy americano e o turco. nossos museus nao têm nada porque os governos deixaram estrangeiros virem e levarem tudo de graça. a gente acha que “história” é feita pelos figurões no governo. nossos hábitos alimentares começam a ser ditados pela ignorancia alimentada pelas companhias; donas-de-casa são convencidas de que “néctar” (=água com açúcar e uma porcentagem mínima de fruta) são coisas mais “puras” e a preferir do que o suco; brasileiros acham chique pagar caro por coisa podre mas nome “chique”. Rede Globo passando futebol e novela; carnaval enquanto o aumento de salário de vereadores e deputados é votado e aprovado por eles mesmos. E ainda tem gente no próprio povo que acha certíssimo porque “se eu estivesse lá faria a mesma coisa”. Isso sem falar do tradicional machonismo (nem machismo é) latino, tão bem representado. Paulistas achando que votar na direita p/ prevenir que a esquerda se eleja é defender seus proprios direitos de classe média (não é). Companhias acabando com vidas e com áreas verdes. Total descaso pela eficiencia de transportes públicos e qualquer funcionalidade social. A gente tem motivos de SOBRA, mas não faz isso porque nossa prioridade é:
    – o churras no final de semana
    – o jogo de bola depois da feijuca
    – a novela das 8
    – o pastor “show”

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