A onda que veio

Era eu de pé na beira da praia
Quando a onda veio, eu estava
Justo aqui, onde pretendo ficar

Eu fui, eu voltei
Percebam:
As ondas que voltam cavam mais fundo
Os dedos, a planta e o calcanhar

Me acostumei com as ondas tímidas (que fazem cosquinha)
Com as caravelas encalhadas na areia, com as piabas e as conchinhas
Desfiz as desavenças de outrora e firmei paz com os cachorros d’água
Entre canelas e algas, hoje eu também sei, separa-se o Mar das piscinas

Quando a onda veio, eu brincava de manter-me em pé na franja da praia
Aprendi longe daqui que sou feito do mangue, do asfalto e de gente (dessa gente)
A onda que veio era gigante
Não se esperava
Cobriu todo o continente

Eu quis ficar quando o cascalho foi
Eu quis manter minha postura rente
A onda veio
E o que eu fui eu sou
Sem respirar, sem poder ver, poder nadar
A onda que veio mostrou
O quanto é possível um mundo diferente.

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One thought on “A onda que veio

  1. Ondas conheço bem, são energias, revigoram, trazem alento e também modificam a praia. Ondas de minha orla estão a dizer: gritem, lutem, venha pro mar desse meu país e digam não aos senhores que usurparam o sonho da democracia com negociatas,
    derespeitando e enganando o povo como falácias e engôdos.
    Essa onde de agora, percebo, já uma tsunami e eles ( políticos) que se cuidem.

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